Em Defesa da Quimbanda



Existe um ditado na Quimbanda que diz assim: se é verdade, tem que funcionar. Ontem eu publiquei em um grupo antigo no Facebook, criado na época do Curso de Filosofia Oculta, a postagem que fiz aqui no Instagram, Incursão Diabólica. Interessante o desconforto que este pequeno excerto que estou escrevendo sobre a história da magia dos grimórios, baseada em fontes consagradas da literatura ocultista, causou em algumas pessoas. Fui acusado de inventar coisas e de mentir, e tive de escutar ainda que fulano gostava mais de mim quando eu era sincero.


Sobre inventar ou mentir no excerto de meu ensaio, deixarei os leitoires julgarem quando ele for publicado na Revista Nganga. Vou apressar o crime porque já estou sendo acusado antes de cometê-lo. E sobre sinceridade, vamos lá:


Enquanto estive inserido na magia moderna, thelema etc., eu não havia obtido nenhum resultado ou conquista palpável com a magia. Era tudo psicológico. Eu literalmente não tinha nada! É dessa época, quando eu não tinha nada, que fui acusado de ser mais sincero. Mentira, eu vivia uma vida vazia e confusa, meu sucesso na magia era medíocre. A luz da verdade, minha vida era uma falsidade e o espírito tutelar que me acompanhava se chamava Choronzon.


Eu passei por uma profunda experiência de transição em 2017, a qual relatei detalhes no texto A Apropriação de Belithor, que depois foi editado e inserido na composição da apresentação de DAEMONIUM (Vol. I). Nele eu conto como utilizei técnicas antigas de teurgia para ajudar a salvar a vida de minha mãe, optando por não utilizar absolutamente nada de thelema. Se Crowley não conseguiu salvar a vida de sua filha na abadia de thelema com a magia que praticava e ensinava, porque diabos eu iria conseguir? Outro ditado na Quimbanda: nó só damos àquilo que temos!


Com Jâmblico eu aprendi que espiritualidade genuína, verdadeira, saudável e que funciona, está conectada as raízes de nossa cultura. Então dirigi minha atenção para o ocultismo católico, porque foi o cristianismo o pilar fundante de nossa atual cultura ocidental. Nesse período intensifiquei o exercício de solomōnikē, quer dizer, magia salomônica tradicional e me devotei a magia católica. Cheguei a fazer uma monograia completa de ocultismo católico, ensinando como utilizar os sacramentos da liturgia católica como mecanismo de magia prática. E muito embora essa movimentação tenha apaziguado meu espírito, minha busca fundamental sempre foi essa: encontrar um sistema de magia que funcione de verdade, que apresente resultados reais, tangíveis e transformadores. Foi quando o Diabo me seduziu e eu encontrei a Quimbanda.


Quando eu pisei na Quimbanda e vi Exu trabalhando tomei um susto e pensei comigo mesmo: rapaz, o buraco aqui é bem mais embaixo. A Quimbanda me trouxe todas as realizações que eu almejava. A Quimbanda me deu uma vida de sacerdório, zeladoria, comprometimento e a honra de cortar em nome de Exu e Pombagira. A Quimbanda renovou meu espírito, me deu raízes e alimentou a seiva de minha busca e carreira magística. Eu não tinha nada e a Quimbanda me deu tudo o que eu tenho hoje. Então em nome da verdade, vestida com o manto da sinceridade, meu compromisso é com o dono da terra, porque foi das profundezas da terra que a família tradicional de Quimbanda, o Covil do Diabo ou Cova de Cipriano Feiticeiro, ser ergueu. Fou com a ajuda do Diabo Maioral de todos os Infernos, e seus emissários os Exus e Pombagiras, que eu pisei de verdade na vereda de meu destino.


Nguzo ê Quimbanda.


Táta Nganga Kamuxinzela

Cova de Cipriano Feiticeiro

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