Daimones & Exus



Nota: essa reflexão foi publicada no site Filosofia Oculta na forma de uma resposta a uma pergunta enviada. O texto foi revisado e corrigido para a presente edição.



Existe profunda inquietação sobre o assunto Quimbanda & Goécia, tema que se tornará um artigo aqui no site em breve. Preliminarmente, introduzo o estudo com esta reflexão entre os daimones da goécia e os Exus da Quimbanda.


A palavra daimon evoluiu com o tempo. Ela aparece primeiro na Ilíada e na Odisseia de Homero como referência aos próprios deuses do Olimpo. Em Hesíodo os daimones aparecem como a alma dos homens que haviam vivido na era dourada da humanidade, responsáveis por distribuir as riquezas pelo mundo. O daimon como distribuidor de coisas boas ou ruins está em acordo com a origem etimológica da palavra. Nesse contexto, Zeus seria o grande daimon, por distribuir todas as coisas boas, mas também ruins, a humanidade. O interessante é que em Hesíodo os daimones passam a ser criaturas espirituais intermediárias entre os homens e os deuses, além de terem a conotação de almas de mortos. Platão reforça a ideia dos daimones como criaturas espirituais intermediárias e distribuidoras de riquezas, destacando Eros como o grande daimon. No fim da Antiguidade a palavra daimon já era utilizada como sinônimo de espírito, indicando qualquer agente espiritual, não importando a diferença. Mortos, criaturas da natureza e deuses, todos eram chamados de daimones. Herdando concepções de Plotino, Jâmblico destaca o valor do daimon pessoal, ideia fundamental por trás do conceito moderno de Sagrado Anjo Guardião. É somente na Septuaginta, i.e. o Velho Testamento traduzido para o grego koiné no Séc. III d.C. pela primeira vez, que a palavra daimon aparece de forma pejorativa, designando os deuses adorados por outras nações. É a partir da Septuaginta que os termos daimon (demônio) e anjo começam a ter o significado que hoje conhecemos e usamos.


Os exus da Quimbanda são fruto de uma intensa miscigenação cultural que se sustenta sobre um tripé: culturas autóctones africanas (banto e yorùbá), culturas autóctones ameríndias e tradição mágica europeia (feitiçaria ibérica popular e tradição dos grimórios cipriânicos-faustinos). É sobre esse tripé que nasceu o sistema da Quimbanda como genuína feitiçaria tradicional brasileira. Em outras palavras, o imaginário dos exus e das pombagiras na Quimbanda é alimentado por três culturas espirituais que deixaram alargar as margens de suas fronteiras ortodoxas para que suas influências juntas pudessem criar algo completamente novo e para muito além de suas bordas filosóficas e dogmáticas. Por esse motivo não é possível mensurar a Quimbanda brasileira pelas réguas e lentes do Candomblé, do Ifá, do Iṣéṣé Làgbà, da religião tradicional banto etc., porque a Quimbanda transcende suas regras. Caso você não tenha esse olhar para a Quimbanda, permanecerá nadando em uma rasa poça d’água. Compreenda essa convergência cultural que alimenta seu imaginário e começará a penetrar nas suas profundezas.


Os exus da Quimbanda são espíritos de mortos. Trata-se de um culto brasileiro de necromância por meio de ancestrais divinizados, familiares (antepassados) e espirituais (representantes de uma corrente mágica nos planos internos, que chamamos de Reinado de Maioral, o Diabo). No texto Os Exus e Pombagiras nas Tradições Mágico-Espirituais do Mundo, eu demonstrei que os espíritos da Quimbanda, os Exus e Pombagiras, são mestres e instrutores espirituais da envergadura dos santos católicos, dos heróis gregos, dos chefes secretos em thelema, dos mestres ascensionados da teosofia etc. Tradicionalmente, esse tipo de espírito deificado, quer dizer, que manteve a estrutura, coesão e integridade da consciência após a morte do corpo físico, são descritos como muito mais poderosos que espíritos diversos (daimones): na tradição católica os santos têm poderes sobre os demônios, ou pelo menos acabam por vencê-los; na tradição grega da magia muitos mitos descrevem heróis lutando contra espíritos da natureza malignos ou benignos; os chefes secretos em thelema são seres superiores que instruem os caminhos da humanidade, da mesma maneira como os mestres ascensionados na teosofia.


As hierarquias infernais e os pactos diabólicos dos grimórios e demonólogos medievais, os diabretes e diáboas, espíritos tutelares das feiticeiras ibéricas, e estas mesmas, seu papel, posição e prestígio social, influenciaram profundamente o imaginário e a iconografia diabólica da Quimbanda, o que se materializou definitivamente nas mãos de um ocultista umbandista brasileiro, Aluízio Fontenelle (1913-1952), que escreveu uma obra (Exu, 1951) onde estabelecia equivalência sincrética com demônios de um grimório do Séc. XVIII chamado Grimorium Verum, como veremos adiante. Há muitos sacerdotes ortodoxos da Umbanda, Ifá e Candomblé que dizem que essa convergência além de ser equivocada e ignorante, é também criminosa e maliciosa. Mas eles se negam a enxergar para além das fronteiras de suas tradições, de forma a perceber quão profunda foi a influência da tradição mágica europeia na Quimbanda.


Então, contrariando autores como Alexandre Cumino que escreveu uma obra chamada de Exu não é Diabo (Madras, 2019), Exus e Pombagiras são diabos sim, porque seu imaginário e mítica diabólica é carregado com a influência de revolta, repúdio e oposição a status quo religioso cristista da sociedade ocidental. O Diabo é um símbolo mágico de luta contra opressão social e religiosa que o cristianismo impôs ao Ocidente. Essa luta se materializou religiosamente na Quimbanda, cujo patriarca é o Chefe Império Maioral, o Diabo. É por esse motivo, adequação ao estatus quo cultural e religioso da sociedade brasileira que, promovendo mais uma de suas salubrizações negras, diabólicas e culturais, a Umbanda retirou os traços diabólicos e conformações teriomórficas da iconografia dos Exus e Pombagiras.[1]


Quimbanda é pacto! Esse é um aforismo universal presente em todas as vertentes de Quimbanda. É pensando nisso que alguns sacerdotes desistiram de pensar na quimbanda como tradição e passaram a defender a ideia de Quimbanda como relação íntima com o Exu tutelar. Não é o caso! Quimbanda é tradição e como tal ela transmite o fundamento através do qual o feiticeiro pode se conectar ao seu Exu tutelar. Então vemos que a Quimbanda não apenas preserva, mas refina e desenvolve uma fórmula mágica universal da tradição da magia: o conhecimento e a conversação com o espírito tutelar. Como demonstrei em meu livro Daemonium, essa é a fórmula mágica primordial da tradição da magia, sem a qual ela não existiria. Na parte que essa ideia do pacto diabólico influenciou a Quimbanda, precisamos retornar ao nascimento da tradição salomônico no manuscrito que ficou conhecido como O Testamento de Salomão. Neste escrito, que data dos primeiros séculos de nossa era, Salomão se apossa do demônio Ornias e faz dele um espírito familiar. Através de Ornias Salomão tem acesso a uma legião de demônios e torna-se capaz de conjurá-los à vontade para todos os fins. Essa técnica de magia, se apoderar de um espírito e torná-lo um familiar assistente foi repassada a um segundo texto fundamental da tradição salomônica, o Tratado Mágico de Salomão. Todos os grimórios salomônicos posteriores até o Lemegeton (Ars Goetia) replicaram essa fórmula mágica, fundamental ao exercício proficiente de todos eles. A goécia (feitiçaria grega na Antiguidade e salomônica na Idade Média) se baseia nisso! Em meu livro Daemonium (No. 1) eu destaquei:


A arca de bronze é usada para tornar os demônios cativos e familiares, já o triângulo da arte serve para colocar o demônio em prontidão, uma atitude interna apropriada a servir e trabalhar sob as ordens do mago. Tecnicamente a arca deve ser utilizada antes do triângulo da arte e isso é algo que você não encontrará nos livros modernos que tratam do assunto, mas está em perfeita harmonia com a visão da feitiçaria dos grimórios. O exemplo abaixo ilustrará de forma mais efetiva:


Imagine que a arca de bronze é um grande curral onde o fazendeiro (mago) coloca os cavalos bravos (daimones) do campo (corpo de Deus) que estavam livres na natureza. O fazendeiro vai lá no ambiente dos cavalos bravos, o campo, e os laça, levando-os a força para dentro do curral. Uma vez dentro do curral, os cavalos bravos são açoitados, amansados, adestrados, treinados e alimentados. Depois que o fazendeiro treinou, adestrou, alimentou e tornou submissos os cavalos do curral, então ele irá selecionar um dentre eles e levará para fora do curral, onde colocará nele uma cela e arreio (o triângulo da arte) e o montará, comando-o a seguir um curso adequado e apropriado aos fins do fazendeiro.


A arca de bronze, portanto, serve para tornar os daimones [i.e. os demônios] da natureza que não possuem pactos com os homens submissos ao mago que, através do triângulo da arte, os comandará a fazerem a sua vontade. Antes de confinar um demônio no triângulo da arte, ele deve ser preparado dentro da arca de bronze. A arca de bronze é o equivalente a lâmpada para aprisionar os djinns dos mulçumanos ou o baú (caixa preta) da bruxaria tradicional.


Dessa forma, como um pano de fundo que subjaz a tradição salomônica medieval e dos grimórios modernos, assim como a Magia Sagrada de Abramelin, inúmeros feitiços encontrados nos Papiros Mágicos Gregos e a doutrina do daimon pessoal na teurgia clássica neoplatônica, está a fórmula mágica do conhecimento e conversação com o espírito tutelar


A Magia Sagrada de Abramelin merece um pequenino destaque aqui. Como demonstrei no artigo A Goécia de Abramelin, essa fórmula mágica subjaz toda a temática do exercício místico que a magia de Abramelin exige como requerimento para se contatar o Sagrado Anjo Guardião. Embora mascarada por uma cosmovisão neoplatônica-cristã-rosacruciana com metalinguagem judaica, a técnica de magia que subjaz todo o sistema é pagã: obtém-se auxílio de uma criatura espiritual, o Sagrado Anjo Guardião, para conjurar espíritos (demônios) diversos do Corpo de Deus para todo tipo de causa.


Por outro lado, a feitiçaria popular ibérica era praticada por bruxas de pouca ou nenhuma educação e erudição. Estas feiticeiras adaptavam a magia dos grimórios a sua tradição oral de feitiçaria e realidade, tornando-a mais acessível como encontramos nas edições de O Livro de São Cipriano, onde a estrita disciplina salomônica para se comunicar com espíritos é completamente dissolvida. Enquanto que para os magos salomônicos os demônios se tratavam de criaturas perniciosamente diabólicas, para as bruxas e feiticeiras da tradição popular eles eram auxiliares mágicos, os chamados espíritos familiares. Nesse tipo de feitiçaria popular, as feiticeiras buscavam por estabelecer pactos e alianças com o diabo pessoal. É a feitiçaria ibérica e não a magia salomônica erudita que influenciou a formação do Culto de Exu no Brasil em seu primeiro momento, período que se estende do Brasil colônia até o Séc. XIX. É apenas no segundo momento que as conexões com os grimórios são estabelecidas efetivamente.


A maioria dos métodos e técnicas usados pelas bruxas dos tempos antigos tem pouca semelhança com aqueles usados pelas bruxas neopagãs de hoje. Muitas vezes o povo astuto praticava a observância da fé dual e os encantos, amuletos, orações e encantamentos que eles usavam invocavam Jesus, a Virgem Maria, a Trindade e a companhia dos santos. Os salmos eram usados para propósitos mágicos como feitiços e ainda estão em alguns círculos de feitiçaria tradicionais modernos. Com a chegada da nova fé do cristianismo e a supressão das antigas religiões pagãs, objetos como crucifixos, medalhões dos santos, a hóstia e a água benta foram amplamente usados pelos magos populares porque acreditavam possuir «virtude» ou energia mágica e poder de cura inerente. O simbolismo cristão era usado em rituais de magia popular envolvendo proteção psíquica, contra-magia e cura. Muitos dos antigos encantos pagãos foram cristianizados e alguns dos santos assumiram os atributos anteriores de deuses e deusas pagãos. As nascentes sagradas, anteriormente dedicadas às deusas, por exemplo, eram voltadas para a Virgem Maria ou para as mulheres, como Winefrede ou Bride. Os encantos de cura substituíram os nomes das divindades pagãs, como Woden, Loki e Thor, pelos de Deus, de Jesus e do Espírito Santo. Muitos dos grimórios [medievais] usados pelas bruxas e praticantes da magia popular também continham inevitavelmente o simbolismo judaico-cristão.


Algumas bruxas tradicionais modernas ainda seguem a observância da fé dupla usando os salmos para propósitos mágicos, trabalhando com a companhia de santos e empregando imagens cristãs, simbolismo e liturgia, muitas vezes de maneira herética e subversiva. A bruxa neo-pagã fala de maneira que não prejudique ninguém, enquanto que a bruxa tradicional moderna – em comum com as astúcias das bruxas do passado – pode tanto curar quanto amaldiçoar quando surgir a necessidade. Aqui a magia, enquanto cristã, é indubitavelmente autêntica, e não um renascimento romântico. Práticas semelhantes podem ser encontradas no Vodu, Hoodoo, Santeria, Macumba, Ju-ju e Obeah nas Américas e na África. Um modelo católico do universo, incluindo o céu, o purgatório e o submundo, influenciou a aceitação congolesa e o uso do catolicismo em suas práticas mágicas, como Palo Mayombe. É tão útil na necromancia ocidental.[2]


Ao fazer uma comparação entre o demônio Ashtaroth, celebrado em vários grimórios modernos, e as deusas da Antiguidade (Inana, Astarte), Jake Stratton-Kent diz: Para nossos propósitos imediatos, Astaroth é considerado semelhante, senão idêntico a uma deusa dos cananeus pagãos e outros, conhecida como Astarte, e associada à Vênus e à Lua.[3] Kent é um dos precursores modernos do que se conveniou chamar de renascer dos grimórios (grimoire rivival) cujo objetivo é quebrar a hegemonia cristã na interpretação dos grimórios, destacando suas fontes pagãs.[4] O imaginário de Pombagira é alimentado com os arquétipos de antigas deusas; dessa forma, trabalhar com Pombagira é operar diretamente com o poder de Astarte, Lilith, Hécate, Inana, Babalon, Asherah etc. Em nossa família Ashtaroth é sincretizada com Pombagira Rainha das Sete Encruzilhadas.


Quem inaugurou efetivamente a conexão entre Exus e os demônios derivados dos grimórios e manuais demonológicos europeus no segundo momento do Culto de Exu no Brasil foi Aluízio Fontenelle em seu livro Exu. Com base na versão italiana do Grimorium Verum (e muito possivelmente através de alguma edição de O Livro de São Cipriano), somado a ideias retiradas de Eliphas Levi (1810-1875), Fontenelle faz uma extensa comparação entre Exus e demônios, o que Jake Stratton-Kent em sua pesquisa chama de «exu com alter ego demoníaco»: [...] Este material diz respeito à Legião de Exus, ou Povo do Cemitério, uma vasta classe de entidades, muitas das quais em várias tradições brasileiras têm como alter egos os demônios do Grimório. Os cultos brasileiros de Umbanda e Quimbanda apresentam grande diversidade. Entre eles estão fios que há muito reconhecem os demônios do Grimório como equivalentes diretos de sua Legião de Exus ou Povo do Cemitério. Esses alter egos são conhecidos como demônios cabalísticos.[5] Ao tentar estabelecer uma linha de pesquisa que conecte a interpretação (e sincretismo) que Fontenelle fornece com suas fontes, quer dizer, as versões do Grimorium Verum disponíveis na época, Kent diz: Como todos os Exus são essencialmente de natureza intermediária, isso não cria dificuldades nos cultos brasileiros, apenas indicando a origem das influências textuais.[6] Na cultura yorùbá que alimenta a Quimbanda, o èṣú òrìṣà possui essa virtude intermediária e mercurial. Como ele foi a maior fonte de inspiração para o Exu de Quimbanda, entendemos que o Exu é um intermediário entre o feiticeiro e outras criaturas espirituais, as quais estão sob a sua autoridade, convocando a fórmula mágica universal do espírito tutelar; por outro lado, a Quimbanda recebe da cultura banto sua cosmovisão onde, por meio dos ancestrais, o kimbanda tem acesso aos espíritos diversos da natureza, o que converge novamente a ação intermediadora do Exu tutelar, herdando todo um pano de fundo cultural. Kent continua: Até onde vai a associação entre espíritos do Verum e Exus é difícil de estabelecer com certeza. É muito provável que o Verum tenha chegado ao Brasil no século XIX. Aparentemente, também houve edições do muito popular O Livro de São Cipriano, que incluía tabelas de bebidas espirituosas do Verum. [...] Os críticos da associação entre espíritos Verum e Exus fariam bem em entender o significado real do «True Grimoire» antes de assumir que tal associação é negativa ou superficial.[7] Faço das palavras do autor as minhas.


Levando tudo isso em consideração, não é difícil ver como o processo de sincretização dos Exus com demônios (ou daimones, como preferir) do Grimorium Verum se trata do resultado de uma miscigenação cultural que começou no período colonial e materializou-se completamente por volta da década de 1950, segundo momento do Culto de Exu no Brasil, quando efetivamente ele foi nomeado de Quimbanda.


Não há como fazer comparações seguras entre os daimones gregos/salomônicos e os Exus e Pombagiras da Quimbanda, porque são culturas distintas. A goécia, tecnicamente, é um tipo de prática que, originalmente na tradição grega da magia tratava-se do trato com a alma dos mortos apenas. De modo geral na tradição grega a goécia é sinônimo de feitiçaria. A goécia era compreendida por um tipo inferior de prática mágica, contrapondo-se a teurgia, cujo exercício exigia saber filosófico. Considerando esse aspecto técnico da feitiçaria tradicional grega, a goécia, podemos dizer que a tradição de Quimbanda é um tipo de goécia brasileira. Na Antiguidade tardia daimones incluíam variadas classes de espíritos, inclusive almas dos mortos. Na Quimbanda os Exus e Pombagiras são almas dos mortos deificadas. O que incluiria eles na categoria de daimones, os paredoi dos Papiros Mágicos Gregos, mas não é técnico dizer isso, haja visto que são culturas bem distintas. É mais fácil e correto dizer que Exus e Pombagiras compartilham com os daimones gregos características em comum como aquela de servirem de agentes comunicadores entre os homens e os deuses.


Desde a sua gênese a tradição mágica européia está inserida na tradição de Quimbanda. Os Reinos da Quimbanda podem ser relacionados às virtudes planetárias. O Reino das Encruzilhadas tem profunda relação/conexão com as virtudes planetárias de Mercúrio. Ao kimbanda com conhecimento de magia cerimonial, está claro que rituais de magia ou entregas no Reino das Encruzilhadas são operações mágicas mercuriais. Sabendo disso, com a orientação de seu Exu tutelar, ele pode relacionar o trabalho de Exus e Pombagiras no Reino das Encruzilhadas a espíritos mercuriais, olímpicos ou demônios. Nas palavras de Tranca Ruas de Embaré, via de regra com conhecimento e fundamentação lúcida, o zodíaco, as mansões da Lua, a alquimia e a astrologia podem ser utilizadas dentro da Quimbanda.


Táta Nganga Kimbanda Kamuxinzela

Cova de Cipriano Feiticeiro

Templo de Quimbanda Maioral Exu Pantera Negra e Pombagira Dama da Noite



NOTAS: [1] Veja José Mourão, Encruzilhadas da Cultura. Aeroplano, 2012. [2] Jake Stratton-Kent, The Testament of Cyprian the Mage. Scarlet Imprint, 2014. Os colchetes são meus. [3] Jake Stratton-Kent, Encyclopaedia Goetica Vol. I: The True Grimoire. Scarlet Imprint, 2009. [4] Humberto Maggi, Goetia: História & Prática. Clube de Autores, 2020. [5] Jake Stratton-Kent, Encyclopaedia Goetica Vol. I: The True Grimoire. Scarlet Imprint, 2009. [6] Ibidem. [7] Ibidem.

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