A Faca na Quimbanda Nàgô



Nota: Esse texto é uma coleção de postagens para o Instagram e que agora foram organizadas em forma de texto. O conteúdo foi corrigido e editado. Foram inseridas referências bibliográficas e quando necessário notas explicativas.


Introdução


A Quimbanda é uma tradição espiritual para Homens. O indivíduo, cansado e calejado pelas lutas e batalhas que vem travando no caminho, no percurso ou na jornada de sua alma em direção à sabedoria, decide mudar a sua realidade, a natureza em seu entorno. Universalmente o caminho da feitiçaria em todas as culturas foi perseguido com essa finalidade também universal: a necessidade de mudar a dura natureza da vida, a realidade selvagem que circunda a todos nós.[1] A Quimbanda é um culto para Homens porque crianças não carregam facas; apenas àqueles dispostos a caçar, a matar e sacrificar, a guerrear e lutar, empunham facas. Trata-se de um culto para pessoas destemidas e decididas, não para fracos e receosos, encabulados e medrosos. A Quimbanda é para aqueles que desejam se tornar Mestres da Vida, que há muito tempo largaram as velhas doçuras,[2] para se dedicarem a maestria da vida e a obtenção do propósito derradeiro dela, a Verdadeira Vontade.[3]


A principal arma mágica de um kimbanda é a faca! Além de dividir a ação do orí[4] da ação torpe, medíocre e hipócrita, de separar a vida da morte, de dar direção à projeção da vontade por meio da mente unidirecionada, também carrega uma herança ancestral. E àqueles capazes de resgatar essa herança ancestral de combate e sobrevivência têm um genuíno apreço pela faca, porque reconhecem seu espírito divino e sua força ancestral. A faca é um totem mágico de guerra e de sobrevivência. Esse totem tem o poder de ressuscitar a resistência dentro de cada kimbanda; sua posse através da Mão de Faca é um divisor de águas, porque assassina o falso ético, o hipócrita e o moralista que vive em cada um de nós e ressuscita o guerreiro selvagem e desmisericordioso que jazia oculto sob os escombros das construções sociais que carregamos. A Natureza é selvagem. A faca desperta a selvageria implacável da Natureza dentro de nós. O caminho da Quimbanda é, portanto, o caminho do sacerdócio da faca.


Este caminho trata-se de tomar as rédeas da sua vida e conduzi-la nos seus termos, exercendo plenamente sua individualidade, sua Verdadeira Vontade. A faca sacerdotal separa a vida da morte, o comportamento honroso do comportamento de gado, a mente concentrada do pensamento disperso, o silêncio do tumulto, o sacerdote do homem comum. Por esse motivo, possuir uma faca consagrada e imantada ao trabalho sacerdotal do Povo de Ganga, a Quimbanda Nàgô, é uma honraria espiritual e para possuir o direito de portá-la é preciso merecer.


As operações de magia da faca se estendem pelos três reinos (mineral, vegetal e animal) e por toda operação dos Quatro Elementos. A Faca é filha dos Quatro Elementos: o ferro (Terra) é modelado através da vontade (ideal e material) por meio do forno (Fogo) e em seguida é resfriada (Água), liberando vapores (Ar) diversos.[5] Como um resultado de operação sobre os Quatro Elementos a partir da vontade criadora, a faca torna-se uma arma mágica com poderes sobre os elementos nos três reinos a partir da vontade canalizada e projetada. Na Quimbanda Nàgô a faca concentra o poder dos Quatro Elementos e o domínio sobre eles por meio da vontade concentrada e dirigida. A faca torna-se uma extensão do gênio criativo do kimbanda. A cerimônia da Mão de Faca desperta a virtude (ou alma) de uma faca tornando-a extensão da vontade e criatividade do feiticeiro.


Na Quimbanda Nàgô a faca é um instrumento mágico consagrado ao feiticeiro que é capaz de compreender o poder de seu espírito e sua riqueza ancestral. Sem essa compreensão basilar ele ainda não conquistou o mérito de possuir a Mão de Faca. O mundo mudou depois da faca. O homem deixou de ser presa de animais predadores e passou a ser o caçador deles. Em um mundo de falsos ídolos a faca representa o retorno do homem primordial.[6] Na história da humanidade quem alimentou mais, a faca ou a cruz? Na história da humanidade quem defendeu mais, a faca ou a cruz? A faca é um totem sagrado do arcaico, do primitivo, do ancestral. A cerimônia da Mão de Faca coloca o kimbanda dentro de um grupo muito seleto de homens e mulheres escolhidos pela mesura de sua honra.


Na Quimbanda Nàgô é tradição ter tipos de faca com distintos àṣẹ para trabalhos diversos. Por exemplo, existe a faca de serviço recebida no batismo de armas, conectada diretamente aos trabalhos com o Exu tutelar; existe a faca de feitura recebida no aprontamento e usada nas iniciações de noviços. A última faca recebida no curso da iniciação é a faca de égún na cerimônia de coroação e que estará conectada a trabalhos com um égún (e através dele uma legião de égún) a serviço do Exu tutelar. Esse àṣẹ coroa a iniciação do adepto na Quimbanda Nàgô, quando ele se torna um mestre e seu Exu tutelar um táta-nganga da tradição.


Há pouca qualidade de caráter visceral, força, honra e dignidade nas massas ou coletividade arrebanhada. O caráter popular valorizado pela consciência de rebanho baseia-se em construções morais que têm enfraquecido o caráter visceral, predador, selvagem e combatente do homem. O resultado disso é uma sociedade composta por indivíduos hipócritas, fracos e afetados, divididos por uma dicotomia certo-errado, bem-mal, inocente-culpado, direita-esquerda. As forças ígneas da Quimbanda calcinam essa mentalidade moralista baseada nos códigos morais religiosos vigentes e na dicotomia dualista. O kimbanda no seu caminho solitário luta com espírito satânico contra essa hipocrisia espiritual colocando-se além da moral, do bem e do mal, do certo e do errado. A arte da feitiçaria da terra e do sangue exige essa libertação. A Quimbanda é para homens destemidos a isso.


A faca e a projeção da vontade: teurgia na Quimbanda


A faca sempre representou nas mais distintas tradições (inclusive na magia moderna, veja Livro 4 de Crowley,[7] o poder dissipador da mente. Na teurgia grega, por exemplo, a faca era consagrada ao logos e a sua ação lúcida, racional e divisória. O teurgo fendia a garganta do animal com um instrumento consagrado ao movimento do logos, carregando o sangue com suas virtudes luminares. Nas mãos de um kimbanda a faca torna-se um instrumento de sua Verdadeira Vontade, uma extensão do poder (moyó) projetado pelo ājñā-cakra (o terceiro olho).[8] Ao fender a garganta do animal o sangue é poderosamente imantado pela vontade do kimbanda presente na e projetada através faca.


Eu venho construindo uma ponte entre a feitiçaria da Quimbanda e seu sistema de iniciação com a goécia (feitiçaria) e teurgia da Antiguidade. A Quimbanda inclui ou herda a essência pura da goécia e teurgia presente na Antiguidade clássica e tardia. Como vimos na última edição do Daemonium, as técnicas de feitiçaria e teurgia são universais, mudando pouca coisa de cultura para cultura. O corte e a oferenda que um kimbanda faz as deidades da tradição, os Exus e Pombagiras, o teurgo e sacerdote dos deuses também fazia na Antiguidade.[9] Procedimentos semelhantes, objetivos idênticos: celebrar a potencia dos espíritos e clamar por sua intervenção entre nós, purificando e sutilizando a alma, e auxiliando nas demandas da vida secular. O corte ou sacrifício animal era o eixo da teurgia na Antiguidade e permaneceu o mesmo eixo da teurgia que existe dentro da Quimbanda. Essa abordagem pode ser impactante aos tradicionalistas; no entanto, sob um olhar mais profundo, sob uma atenção mais cuidadosa, a Quimbanda encerra todos os arcanos e mistérios da goécia e teurgia universais.


Na teurgia, a ciência do corte é o eixo do culto porque é do sacrifício que todos os outros fenômenos teúrgicos rituais ocorrem: divinação através de oráculos, divinação por incorporação mediúnica, purificação, ascensão da alma, consagrações, imantações etc. O corte é o elemento fundamental que dá a ignição no processo teúrgico. Na tradição da Quimbanda não é diferente: a ciência do corte é o eixo de nossos rituais. Assim, a prática da Quimbanda está em direta harmonia e conexão com a prática da teurgia como compreendida na Antiguidade tardia. Nas religiões pré-cristãs da Antiguidade o sacrifício de um animal consagrado e santificado para a teurgia tratava-se de um ofício sagrado. O sangue carrega a essência da vida que alimenta as deidades. Por meio do sangue sacrifical, seja na teurgia grega ou nas culturas africanas, se estreitam os laços entre os homens e os deuses, entre as almas encarnadas e seus ancestrais; busca-se através do sangue por proteção espiritual e cura das mazelas do corpo e da mente; o sangue do sacrifício é uma oferenda que glorifica as deidades, seus poderes, e através dele é esperado receber as virtudes e bênçãos dos deuses e ancestrais. Como o sangue está estreitamente conectado a fertilidade e continuidade da vida, o sacrifício é o ato teúrgico de se doar a vida para receber dos deuses a própria vida na forma de renovação espiritual em nossa jornada encarnados na matéria. Além disso, acreditamos que o sacrifício liberta a alma do animal de seu cativeiro no reino da geração, o que garante a continuação de sua existência no pós-morte: todo animal sacrificado torna-se um espírito de alma deificada. Isso tem implicações profundas e um grande impacto na carreira magística, pois que estes espíritos podem auxiliar o feiticeiro em sua jornada. Este arcano iniciático do passado está presente, por exemplo, nos Papiros Mágicos Gregos. Na feitiçaria dos papiros um falcão é deificado através de um sacrifício teúrgico, responsável por torná-lo um paredros, um espírito assistente.


A ciência do corte ou sacrifício magístico-sacerdotal de deificação animal é a ferramenta fundamental de trabalho mágico da Quimbanda. Trata-se de uma ciência porque por meio dela o kimbanda purifica e deífica sua alma. O corte não apenas alimenta as entidades, mas também produz uma poderosa alquimia na alma do feiticeiro. O primeiro sacrifício realizado pelo feiticeiro é fundamental para iniciar este processo alquímico na alma, assim como aproximá-lo definitivamente de seu Exu tutelar que o acompanhará em sua jornada espiritual.


Por meio da faca nós exercemos um culto arcaico e universal que nos capacita a nos tornarmos senhores de nosso Destino, da obtenção da Verdadeira Vontade finita e infinita; a faca se torna uma extensão natural da Verdadeira Vontade do feiticeiro através da cerimônia de Mão de Faca.


A faca sacerdotal imantada


Desde tempos imemoriais na Tradição Oculta da Magia, a faca tem sido a arma mágica fundamental do feiticeiro. Devidamente consagrada às deidades do culto, é por meio da faca que o feiticeiro sacraliza tanto a sua alma quanto a alma do animal sacrificado. Trata-se de uma cultura arcaica da magia universalmente aceita. Na feitiçaria tradicional brasileira, a tradição de Quimbanda Nàgô, a faca é a arma sacerdotal mais importante do kimbanda; denominada de faca de trabalho, no curso de sua iniciação é lhe entregue cerimonialmente sua primeira faca, com a qual ele se tornará um sacrificador devidamente consagrado e ordenado, doravante um agente de comunicação entre os homens e os mortos divinizados.


O poder do sacrifício na Quimbanda Nàgô vem fundamentalmente do Chefe Império Maioral o Diabo, que espiritualmente compreende a totalidade do universo manifesto.[10] Portanto, sendo o Chefe Império Maioral a causa primeira dos Reinos de Quimbanda, a primeira encruzilhada de fogo,[11] também é a causa primeira da estrutura e funções dos Reinos, presente assim em todos os sacrifícios e oferendas, porque elas vêm dele e retornam para ele. Ao preparar os sacrifícios e oferendas o kimbanda manipula e ativa a força mágica (moyó) através do poder do ritual, da faca imantada e do fogo propiciatório. Ao fazê-lo, ele alinha o sacrifício imolado a sua causa primeira. Essa mesma dinâmica é encontrada na teurgia grega. Em Jâmblico nós descobrimos que o poder do sacrifício vem da unidade de vida do cosmos e porque os deuses aos quais os sacrifícios são oferecidos são a causa primeira deles. Na visão de Platão no Timeu, na visão dos estóicos e dos neoplatônicos tardios, o cosmos é um único ser vivente que possui vida em todas as partes de si mesmo. Os deuses como causa primeira formam a totalidade da estrutura e das funções do cosmos. É o amor dos deuses pelas oferendas a eles oferecidas – devido à presença deles nessas oferendas – é que elas se tornam efetivamente oferendas adequadas. Isso nega a falsa ideia de que os teurgos obrigavam os deuses e outras criaturas a lhes servirem; ao contrario, os deuses aceitam as oferendas por que eles estão e fazem parte delas, eles são a causa primeira das oferendas, portanto, eles amam o que lhes é oferecido. E da mesma maneira que o kimbanda de hoje, o teurgo do passado manipulava e ativava a unidade de vida presente nas oferendas através do ritual, da faca e do fogo.


Àṣẹ de faca


O àṣẹ de faca é uma etapa do Ritual da Mão de Faca e ele é repetido diversas vezes no curso do desenvolvimento espiritual do kimbanda. Ele difere do gbere, o rito de marcação sacerdotal que confere a autoridade e autorização espiritual do sacrificador cerimonial propiciatório e do oraculista. É através do rito de marcação que o mestre transfere suas virtudes espirituais sacerdotais (moyó) ao discípulo. É através do gbere, portanto, que o adepto recebe a Mão de Faca.


Vamos nos debruçar rapidamente sobre o conceito e ideia de àṣẹ. Na cultura yoràbá, àṣẹ é um termo utilizado para indicar força mágica dinâmica. Dentro de um terreiro onde se pratica a Cabalá Crioula (sabedoria que vem da África), o àṣẹ é considerado a pérola dos olhos de todos os adeptos, pois sem o àṣẹ (ou a pouca quantidade dele) o milagre (taumaturgia) da magia não acontece; o àṣẹ é a força pneumática que assegura o dinamismo mágico dos trabalhos realizados em um terreiro, seja para fins de cura, de prosperidade secular ou alquimia sobre a alma. É comum ao entrarmos em terreiros muito antigos, que têm culto aos ancestrais divinizados da própria casa, sentirmos um impacto de força telúrica perceptível aos sentidos físicos. Para os yorùbás a existência é puro àṣẹ, porque sem ele não haveria o dinamismo requerido para vida se desenvolver. Então como princípio existencial e força mágica dinâmica, os adeptos de Cabalá Crioula procuram elevar o quantitativo de àṣẹ em suas almas. Um corpo doente e desvitalizado é desprovido de àṣẹ; uma mente torpe, desorientada e dispersa é desprovida de àṣẹ. Em todos os sentidos os adeptos procuram aumentar e potencializar o àṣẹ individual, pois ele confere brilho, magnetismo, mente clara e lúcida, emoções equilibradas e conexão espiritual. O àṣẹ está conectado a progressão mágico-iniciática na Cabalá Crioula; quanto maior a iniciação, maior será o quantitativo de àṣẹ. Na tradição de Quimbanda Nàgô entende-se que quanto maior for à conexão entre o adepto e seu Exu tutelar, maior será seu quantitativo de àṣẹ, seu brilho e magnetismo. O àṣẹ do Exu tutelar é carregado de força telúrica e ctoniana; é um àṣẹ saturnino, denso e pesado; trata-se de um àṣẹ necromântico que satura a alma do adepto, imantando e magnetizando-a, produzindo uma alquimia sutil na sua estrutura, deificando-a gradativamente.


Como força mágica dinâmica o àṣẹ pode aumentar ou diminuir, ser transmitido ou recebido; como princípio existencial o àṣẹ está em todas as coisas, distribuído nos três reinos: mineral, vegetal e animal, classificado nas cores clássicas da Quimbanda, o vermelho, o preto e o branco. Essas cores, assim entendemos, são tipos distintos de sangue; assim temos o sangue vermelho, preto e branco espalhados pelos três reinos. Quando um kimbanda busca fetiches para compor seu assentamento nas respectivas zonas de poder de seus mestres tutelares, o que ele está fazendo é trazer o àṣẹ dos Reinos da Quimbanda para compor o assentamento. O assentamento torna-se uma reprodução fiel da zona de poder do Exu ou Pombagira. Além disso, na ciência de construção do assentamento, o àṣẹ dos três reinos nos seus respectivos sangues compõem os fundamentos do assentamento; é por isso que os assentamentos são considerados cruzeiros de poder, pois notável é o àṣẹ que os compõem, tornam-se portais de acesso aos Exus e Pombagiras.


O àṣẹ de faca, portanto, trata-se de um rito onde uma faca consagrada aos sacrifícios propiciatórios é imantada com o àṣẹ vermelho, preto e branco dos três reinos. Pouco tempo eu gravei um rito conferindo àṣẹ a duas facas em uma cerimônia de iniciação que fiz na cidade de Uberlândia (MG). O vídeo está disponível no Instagram. O rito do àṣẹ de faca torna um instrumento secular, a faca, em uma arma mágica consagrada ao Culto de Exu.


De todas as armas mágicas de um kimbanda, a faca tem sido considerada a mais importante. O corte, como tenho demonstrado, é uma importante ferramenta de deificação espiritual. Através do sacrifício propiciatório o adepto opera alquimicamente sobre a sua própria alma, transmutando-a completamente. O elemento deificante, o àṣẹ de deificação da alma, vem do àṣẹ contido na faca, do corte propiciatório e do àṣẹ sacerdotal conferido na cerimônia do gbere. É interessante uma ponte com a teurgia grega.


Na teurgia existe um rito que se chama ikon-logói; trata-se da consagração de uma faca cerimonial que seja um reflexo do próprio logos. No início da cerimônia, como demonstrei no livro Daemonium, o teurgo ergue a faca e a consagra com a virtude (ou àṣẹ) emanada do Sol. A partir deste momento ele carrega em suas mãos a luminosidade do Sol e com ela ele exorciza e bane entidades antagônicas ao rito e realiza os sacrifícios propiciatórios. É a faca, saturada com as virtudes luminosas do Sol, que satura o veículo-pneumático das oferendas com códigos de luz, tornando-as em elementos adequados a presença dos deuses. Não é diferente na Quimbanda! Ao fender a garganta de um animal, além do simbolismo sexual implícito, o feiticeiro torna a oferenda um sacrifício adequado aos Exus e Pombagiras e ao Reinado de Maioral, saturado-o com o àṣẹ contido na faca. Portanto, diferente do que propagam os sabichões, não é qualquer faca que se usa no culto, mas àquelas saturadas de àṣẹ.


Táta Nganga Kimbanda Kamuxinzela

Cova de Cipriano Feiticeiro

Templo de Quimbanda Maioral Exu Pantera Negra e Pombagira Dama da Noite


NOTAS: [1] Veja Carlos Roberto Figueiredo Nogueira, O Nascimento da Bruxaria. Imaginário, 1955. Bruxaria & História: as práticas mágicas no Ocidente cristão. EDUSC, 2004. Veja também Jeffrey B. Russell e Brooks Alexander, História da Bruxaria. Ooyo, 2019. [2] Aleister Crowley, O Livro da Lei, Cap. III, Vs. 43. Veja Liber Aba: Magia em Quatro Partes. Penumbra, 2020. No jargão thelêmico, velhas doçuras significa as bobagens e tolices que nos fazem perder um tempo precioso e que deveria estar sendo melhor aplicado e direcionado a descoberta da Verdadeira Vontade. [3] A verdadeira Vontade é um conceito moderno thelêmico para o Destino (com d maiúsculo) grego. A doutrina thelêmica insiste em dois tipos de Verdadeira Vontade, a finita e a infinita. A vontade finita é a descoberta e o ato de colocar em prática àquilo que viemos fazer no curso de nossa permanência na matéria; a magia tem um papel fundamental no exercício da vontade finita. A vontade infinita é Destino derradeiro da alma, redimida e coroada no pós-vida. Os thelemitas usam um termo alquímico fora do lugar para definir a ideia de vontade infinita: a Grande Obra, uma meta mística da alma no seu desejo e busca pela deificação. [4] Literalmente, cabeça. Da cultura yorùbá vem a ideia de cabeça como divindade pessoal, mais que isso, divindade primordial e a ela é preciso dar reverência antes de qualquer òrìṣà. O orí yorùbá está muito perto da ideia do logos na filosofia grega, do eu superior teosófico e do lúcifer no luciferianismo e teosofia modernos. Mas a riqueza da cultura yorùbá levam o orí para muito além do logos etc. Umas das melhores introduções ao tema do orí disponíveis em português: Márcio de Jagun, Orí: a Cabeça como Divindade. Literis Editora, 2015. Ronilda Iyakẹmi Ribeiro, Alma Africana no Brasil: os Iorubás. Editora Odudwa, 1996. Odé Kileuy & Vera de Oxaguiã, O candomblé bem explicado. Pallas, 2020. [5] Veja D. Pereira, O Caminho das Lâminas (Livro I). Via Sestra, 2017. [6] Referência a um estado de ser pré-invenção do cristianismo; o estado de ser sem as mortalhas restritivas dos dogmas e da moral cristista. [7] Aleister Crowley, Liber Aba: Magia em Quatro Partes. Penumbra, 2020. [8] Para uma introdução concisa sobre os cakras veja o meu Cakra Sadhana: O Despertar da Serpente de Fogo. Clube de autores, 2015. [9] Na época em que trabalhei com o Colegiado da Luz Hermética onde nos dedicávamos ao estudo e a prática do sistema de teurgia reavaliado por Jâmblico, muitos dos associados eram membros do Candomblé e realizaram extensas pesquisas construindo pontes entre a teurgia grega e o culto de òrìṣà. [10] Se o Chefe Império Maioral é conformado com a força dos Quatro Elementos, sua extensão abrange a totalidade do universo material como o conhecemos: a Terra, o Sol, a Lua, os planetas e estrelas etc. Sobre o Chefe Império Maioral e os Quatro Elementos veja Danilo Coppini, Quimbanda: o Culto da Chama Vermelha e Preta. Via Sestra, 2019. [11] Danilo Coppini, Quimbanda: o Culto da Chama Vermelha e Preta. Via Sestra, 2019.


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